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Pela primeira vez desde 2018, a China não importou um só grão de soja dos Estados Unidos em setembro. Segundo a alfândega chinesa, o país asiático importou 10,96 milhões de toneladas do Brasil no mês, alta de 29,9% em relação a 2024, e 1,17 milhão da Argentina, aumento de 91,5%.

O bloqueio à soja americana ocorre em meio à persistente guerra comercial entre os dois países. Essa situação não apenas afeta os produtores norte-americanos, mas também modifica a dinâmica do mercado global, com aumento da dependência da China em relação à soja sul-americana. Caso não haja solução para o impasse até fevereiro, a China pode enfrentar uma lacuna no abastecimento de soja antes da chegada da nova safra brasileira.

Esse risco de desabastecimento pode pressionar os preços internacionais e alterar a estratégia de compras do governo chinês. De janeiro a setembro, a China comprou 63,7 milhões de toneladas do Brasil (+2,4%) e 2,9 milhões da Argentina (+31,8%). As compras dos EUA, apesar do recuo recente, somam 16,8 milhões no acumulado do ano, 15,5% acima de 2024. Isso reflete contratos firmados antes da intensificação da guerra comercial.

A tendência de substituição da soja americana por produtos sul-americanos também pode gerar mudanças estruturais nas rotas de exportação e nos investimentos logísticos de longo prazo. O Brasil, como principal fornecedor, ganha protagonismo nesse novo cenário geoeconômico. O fortalecimento da relação comercial Brasil-China na soja reforça a necessidade de estabilidade regulatória e previsibilidade para os exportadores brasileiros, que precisam lidar com variações cambiais e exigências sanitárias do mercado asiático.

Com informações de Aline Meladete/Agrolink