(Erveira mais conhecida do mercado de Belém, Clotilde Melo de Souza morreu aos 73 anos; trajetória uniu cuidado, tradição e acolhimento por décadas.)

(Foto: TV Liberal)

Morreu nesta terça-feira (30), em Belém, Dona Coló, nome pelo qual ficou conhecida Clotilde Melo de Souza.

Referência histórica no comércio de ervas medicinais do Ver-o-Peso, ela tinha 73 anos e construiu uma trajetória marcada pelo cuidado com o outro, pela preservação dos saberes tradicionais e pela força da cultura popular amazônica.

Dona Coló deixa nove filhos, netos e uma legião de admiradores. O corpo será liberado pelo Hospital Abelardo Santos, no distrito de Icoaraci, em Belém. O velório está previsto para ocorrer em um salão de recepções no bairro Almir Gabriel, em Marituba, onde também será realizado o sepultamento, na tarde desta quarta-feira (31), em um cemitério particular da Região Metropolitana.

Nascida em 3 de agosto de 1952, no município de Igarapé-Miri, na região do Baixo Tocantins, Dona Coló chegou ainda jovem a Belém e fez do Ver-o-Peso seu território de vida. Por décadas, atendeu moradores da cidade e visitantes que buscavam nas ervas, banhos, garrafadas e orientações um alívio para dores do corpo e da alma. Mais do que vendedora, tornou-se conselheira, benzedeira e referência de acolhimento.

Reconhecida como uma das principais erveiras da capital paraense, Dona Coló ajudou a manter viva uma tradição transmitida de geração em geração, baseada no conhecimento da floresta e no respeito aos ciclos da natureza. Seu nome ultrapassou os limites do mercado e passou a representar um patrimônio imaterial da cidade, símbolo da resistência dos saberes ancestrais em meio às transformações urbanas.

Homenagens

A morte da erveira gerou manifestações de pesar de autoridades e personalidades da cultura. Entre as homenagens mais afetivas, a cantora Dona Onete lembrou a amizade construída ao longo dos anos.

Com informações do G1/Pará