(Operação da Polícia Civil investiga fraudes envolvendo servidores do Detran, autoescolas e profissionais de saúde; beneficiários muitas vezes nem compareciam às aulas ou exames)

A Polícia Civil do Tocantins informou que cerca de 500 Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) emitidas no estado são suspeitas de fraude e devem ser canceladas após a conclusão da Operação Sinal Vermelho. Segundo a investigação, os documentos foram obtidos ilegalmente, sem que os candidatos cumprissem as etapas obrigatórias, como aulas e exames.

O Departamento Estadual de Trânsito do Tocantins (Detran-TO) afirmou que aguarda a decisão judicial que identifique oficialmente as CNHs irregulares. Após essa definição, os documentos serão cancelados.

A Operação Sinal Vermelho teve como objetivo desarticular um grupo suspeito de fraudar a emissão de CNHs em cidades como Guaraí, Araguatins e Araguaína. Foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva e 59 de busca e apreensão. Entre os alvos estavam seis médicos, uma psicóloga, servidores do Detran-TO e profissionais de autoescolas. O esquema cobrava até R$ 4,5 mil por documento, e muitas vezes os beneficiários nem precisavam comparecer ao estado.

A fraude incluía:

  • Digitais de aluguel: Servidores manipulavam o sistema usando digitais próprias ou de terceiros para simular presença de candidatos.
  • Aulas fictícias: Instrutores registravam presenças falsas enquanto os veículos das autoescolas permaneciam parados ou circulavam vazios.
  • Aprovação automática: Servidores inseriam manualmente resultados de exames teóricos e práticos, com processos concluídos em segundos.
  • Ajuste final: Funcionário de empresa terceirizada corrigia inconsistências para permitir a impressão das CNHs.

Além das habilitações, a investigação identificou irregularidades em transferências de veículos e na regularização de carros furtados ou clonados. O Detran-TO informou que afastou servidores e suspendeu credenciados suspeitos antes da operação e continua colaborando com as investigações para garantir a transparência do órgão.

O delegado Márcio Lopes destacou que o objetivo é retirar de circulação motoristas sem qualificação, reduzindo riscos no trânsito e responsabilizando os envolvidos. Ele afirmou que, embora os documentos fossem verdadeiros no sistema, eram ideologicamente falsos, o que dificultava a fiscalização nas ruas.

O Detran/TO reforçou que seguirá os procedimentos administrativos e legais para o cancelamento das CNHs irregulares assim que a decisão judicial for oficializada.

Com informações do G1 e Cazeta Carajás