Encontro reuniu mais de 40 participantes para discutir soluções tecnológicas que podem apoiar o monitoramento das áreas em recuperação no estado
A Superintendência de Regularização e Monitoramento Ambiental da SEMA, em parceria com o Programa REM MT, Instituto Centro de Vida (ICV) e o WRI Brasil, promoveu a Oficina Técnica Geotecnologias e Inteligência Artificial aplicadas ao Monitoramento da Restauração no PRA de Mato Grosso, nos dias 14 e 15 de outubro, que discutiu como as novas tecnologias podem contribuir para aprimorar o acompanhamento das áreas degradadas em processo de recomposição no estado.
Representantes de instituições e iniciativas como MapBiomas, Observatório da Restauração, SCCON, Bioflore, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Instituto Socioambiental (ISA), The Nature Conservancy (TNC), Embrapa, Netflora, Restauragro, RestauraBio, SEMIL/SP e Tecnomapas, participaram do encontro.
A oficina teve como objetivo avaliar de que maneira o sensoriamento remoto, as geotecnologias, a inteligência artificial e as informações coletadas em campo podem contribuir para o monitoramento da restauração vinculada ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) de Mato Grosso. A proposta também buscou identificar as possibilidades e limitações dessas ferramentas, as necessidades de validação e os caminhos para sua eventual incorporação ao ambiente tecnológico já utilizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT).
Para o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinícius Silgueiro, a diversidade de experiências reunidas na oficina é fundamental para ampliar as possibilidades de recuperação ambiental.
A diversidade de participantes contribuiu para ampliar o debate. Entre os participantes esteve o biólogo José Aparecido Macedo, reconhecido por seu trabalho de restauração ambiental em Mato Grosso. Ao longo de 35 anos de atuação, ele já plantou mais de 1 milhão de árvores e contribuiu para a recuperação de 120 nascentes. Sua participação reforçou a importância de aproximar as ferramentas tecnológicas da experiência prática de quem atua diretamente na recuperação de áreas degradadas.
Um dos principais produtos da oficina foi a construção da Matriz de Potencial Tecnológico, instrumento que organiza as possibilidades de aplicação das tecnologias ao monitoramento da restauração ambiental.
A construção da matriz também permitiu identificar diferentes níveis de maturidade entre as ferramentas avaliadas. Enquanto variáveis como cobertura vegetal, solo exposto, ocorrência de fogo e determinadas mudanças no uso da terra já podem ser acompanhadas com maior grau de automação, atributos relacionados à estrutura, diversidade e regeneração da vegetação ainda exigem maior integração com dados de campo e validação para as condições de Mato Grosso. As discussões também reforçaram a importância das séries temporais, da sazonalidade e das diferenças entre formações florestais, savânicas e campestres na interpretação dos resultados.
Dessa forma, a proposta é identificar quais ferramentas podem contribuir para qualificar o acompanhamento das áreas em processo de recuperação e quais aspectos ainda exigem estudos, testes ou validação. A secretária adjunta de Gestão Ambiental da SEMA-MT, Luciane Bertinatto, ressaltou a importância de aproximar o conhecimento técnico das necessidades práticas da gestão ambiental.
A integração de diferentes fontes de informação foi um dos pontos centrais do encontro. O uso de ferramentas tecnológicas e dados coletados em campo pode ampliar a capacidade de acompanhar mudanças na vegetação ao longo do tempo. No entanto, a aplicação dessas ferramentas exige considerar suas limitações, as características de cada área e a necessidade de validação das informações produzidas.
A oficina teve caráter técnico e colaborativo e não teve o objetivo de definir indicadores oficiais, parâmetros de cumprimento ou periodicidade regulatória para o monitoramento. Como próximos passos, a Matriz de Potencial Tecnológico servirá de base para discussões posteriores sobre indicadores, protocolos, periodicidade e operacionalização do monitoramento. O trabalho dará continuidade à avaliação das soluções identificadas, considerando sua aplicabilidade, suas limitações e as necessidades da gestão ambiental estadual.
CONHEÇA O REM MT
O Programa REM MT é uma premiação dos governos da Alemanha e do Reino Unido, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), ao Estado de Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento.
Atualmente, o Programa REM MT é coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e tem como gestor financeiro a Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Para sugestões, reclamações ou esclarecimentos, fale com a ouvidoria da SEMA pelo telefone: 0800 065 3838 ou (65) 99321-9997 (WhatsApp).
Com informações de Priscila Soares (REM MT)
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